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VII Congresso da CCPL: "Não acredito na vitimização, acredito na acção", diz Pedro Castilho, presidente da JCI-Luxemburgo
2010-02-28

O presidente da Jovem Câmara Económica do Luxemburgo (JCI-Luxemburgo), Pedro Castilho, interviu no final do congresso da CCPL, lançando o repto aos presentes para que "se querem que as coisas mudem, mudem-nas".

"Não tenho aqui a minha caneta comigo.... vocês têm a vossa? Então, façam um jogo comigo. Façam uma cruz no papel à vossa frente", pediu Pedro Castilho à assistência, no que muitos presentes cumpriram. "Já fizeram essa cruz? Agora, quero pedir-lhes para que repitam esse gesto em Outubro do próximo ano".

"Não acredito na vitimização, mas na acção. Estou aqui perante vós, hoje, para que se inscrevam, para que participem nas próximas eleições autárquicas luxemburguesas em Outubro de 2011. Se querem que as coisas mudem, é preciso que saibam que podem mudá-las", disse em jeito de conclusão o jovem dirigente da JCI-Luxemburgo.

Discursaram ainda na conclusão dos trabalhos do VII Congresso da CCPL: a presidente da ASTI, Laura Zuccoli, que começou por se dirigir aos congressistas em português; Furio Berardi, presidente do CLAE; o presidente do sindicato OGB-L, Jean-Claude Reding, entre outros.

"Integração bem sucedida passa por uma aposta na educação das crianças imigrantes"


"A integração de uma comunidade pode ser bem sucedida se apostarmos na educação das crianças imigrantes. Portugal é não só um país de emigração mas também de imigração e nesse campo temos aprendido muito nos últimos anos", começou por dizer na sua intervenção o deputado Carlos Gonçalves (PSD), eleito pelo Círculo da Europa para a Assembleia da República.

Carlos Gonçalves salientou ainda "a importância fundamental" de os portugueses participarem na vida cívica e política do seu país de acolhimento, neste caso, o Luxemburgo.

O deputado disse ainda acreditar que "é preciso fazer mais entre parlamentos dos dois países" (Portugal e Luxemburgo) para discutir e fazer avançar a discussão em torno das questões que dizem respeito à comunidade lusa no Grão-Ducado.

"O programa de acção da CCPL mais parece um programa de Governo"

E concluiu com um elogio à CCPL, numa crítica nada disfarçada ao actual Executivo português.

"O vosso plano de acção hoje aqui apresentado mais parecia um programa do Governo português para as comunidades, que é algo que, lamentavelmente, não existe", disse, numa conclusão igualmente muito aplaudida pela assistência.

Seguiram-se as seguintes intervenções: Marc Angel, do partido socialista luxemburguês (LSAP); Mil Majerus, do partido cristão-social (CSV); Marc Hayot, representante do OLAI, o "Office Luxembourgeois d'Accueil et Intégration"; Marguerite Krier, em representação do Ministério da Educação luxemburguês; o embaixador de Portugal no Luxemburgo, José Pessanha Viegas.

Na sua intervenção, o embaixador começou por dizer que a presença de tantos e ilustres convidados e representantes das autoridades portuguesas e luxemburguesas neste congresso prova bem a importância que estes dão à comunidade lusa do Grão-Ducado, "que segundo as últimas estimativas chega já perto das 90 mil pessoas, ou seja, constituem já cerca de 17% da população do Luxemburgo".

"A comunidade portuguesa no Grão-Ducado atingiu uma maturidade que lhe permite hoje participar na vida cívica e política do Luxemburgo", considerou o diplomata.

O embaixador evocou ainda os problemas existentes actualmente no Consulado de Portugal no Luxemburgo, que derivam da falta de pessoal, disse, "mas", ressalvou, "a situação vai mudar em breve, já que um concurso foi aberto para admissão de novos funcionários".

"O tempo é de acção e de unidade"

"O tempo é de acção, como já aqui ouvi dizer, mas também é de unidade. Estou aqui, em representação do Estado português, e quero assegurar-vos que estou no Luxemburgo para vos servir e para ajudar a comunidade portuguesa", concluiu Pessanha Viegas.

O último dos convidados a falar foi o ministro luxemburguês do Trabalho e da Imigração, Nicolas Schmit, que disse ter escutado "muito atentamente cada intervenção".

Evocando uma imigração portuguesa já com quase meio-século no Luxemburgo, o ministro disse que "longe vão esses tempos".

"Hoje construímos juntos a Europa, com um tratado que tem o nome de Lisboa, de onde partiram os navegadores que foram descobrindo esse mundo. Espero que isso seja um bom sinal para esta Europa em construção", disse.

"Hoje há nomes de consonância portuguesa em todos os sectores de actividade do país, desde a diplomacia ao parlamento luxemburguês", recordou o ministro, afirmando que é preciso continuar nesse sentido em matéria de integração.

"O crescimento e o desenvolvimento da nossa economia também a devemos aos imigrantes. Toda a integração começa pelo trabalho. O desemprego é a desintegração social. E quem vos diz isto sou eu, como ministro doTrabalho".

O ministro admitiu igualmente que existe um problema com muitos alunos portugueses que não conseguem adaptar-se ao sistema de ensino luxemburguês, "que foi concebido quando a maioria das crianças eram de língua materna luxemburguesa".

"Este congresso releva da cidadania activa"

"Vocês têm razão em pedir mais cidadania. A cidadania não pode ser decretada, constrói-se, adquire-se, reclama-se. O que vocês fizeram hoje aqui, este congresso, é uma cidadania activa, participativa. Adiram aos partidos políticos, aos sindicatos, participem na vida política", apelou Nicolas Schmit.

O ministro apelou também para que o maior número possível de portugueses adiram à dupla nacionalidade, já que a lei luxemburguesa lhe permite naturalizarem-se luxemburgueses sem perda da nacionalidade de origem. "Esse é um bom caminho para uma maior integração e participação".

O detentor da pasta da Imigração pediu ainda aos presentes para fazerem passar a mensagem, para que o maior número de pessoas participem nas próximas eleições muncipais luxemburguesas, marcadas para Outubro de 2011.

"Só assim podemos lutar melhor contra as discriminações e construir um Luxemburgo melhor", concluiu.

JLC

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