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Luxemburgo: Cidadania e educação dominam VII Congresso da Confederação da Comunidade Portuguesa
2010-02-26
A cidadania e a educação vão ser alguns dos temas em debate no VII Congresso da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL), que se realiza domingo em Cessange e vai eleger a nova direção daquela organização

"No congresso vão ser debatidos problemas que estão em agenda, ou seja, as questões ligadas sobretudo à educação, à participação cívica, ao reconhecimento e à cidadania", disse hoje à Lusa o presidente da CCPL, Coimbra de Matos.

O responsável sublinhou que a cidadania será o "ponto forte" do debate porque é importante que "a partir do momento em que somos considerados cidadãos da Europa, sejamos reconhecidos como tal".

"O que é necessário é que os Estados, tanto de acolhimento como de origem, tenham em consideração que somos cidadãos e não podemos continuar a ser considerados estrangeiros aqui nem emigrantes em Portugal", afirmou.

Para Coimbra de Matos, esta é uma "questão de princípio" porque "a partir do momento em que este reconhecimento de cidadania se processar a todos os níveis, as pessoas terão autoestima muito maior e poderão passar a ser cidadãos melhores".

O secretário geral da CCPL considerou que os direitos de cidadania estão a ser negados a muitos portugueses no estrangeiro e dá como exemplo o recenseamento eleitoral.

"É fácil dizer que as pessoas têm direito de voto, mas depois exige-se um certo número de situações administrativas em que é necessário tratar de papelada e mais papelada e as pessoas deixam de se interessar. As pessoas deviam estar automaticamente inscritas para votar", defendeu.

"A questão da nacionalidade foi uma batalha durante muitos anos, conseguiu-se mas agora há outras barreiras. Tem de se fazer cursos. Há pessoas que estão aqui há 20 anos e não têm direito à dupla nacionalidade. São barreiras que se impõem, que não são facilitadoras", acrescentou.

A educação é outros dos temas em destaque porque "um terço dos alunos de origem portuguesa sai da escola sem diploma".

"Isso é muito grave", sublinhou o dirigente associativo, afirmando que há dois fatores que contribuem para esses números: pais para quem a escola não é sinónimo de progresso e o sistema escolar luxemburguês que "é complicado e leva ao abandono precoce da escola".

Coimbra de Matos disse ainda que continuam a chegar portugueses ao Luxemburgo "todos os dias", mas que não há emprego para a maioria.

"Fala-se em 15 mil desempregados. Um terço dos desempregados no Luxemburgo são portugueses", indicou. Segundo o presidente da CCPL, muitos dos portugueses que chegam ao Luxemburgo não encontram trabalho e acabam por regressar a Portugal, mas ninguém sabe quantos são, quantos ficam e quantos regressam.

"As autoridades portuguesas não querem aceitar este problema e da parte luxemburguesa também não lhes interessa que se conheça esses dados. Ninguém quer divulgar números", afirmou.

O VII Congresso da CCPL realiza-se domingo no Centro Cultural de Cessange, na cidade do Luxemburgo, e conta com a presença dos deputados do PS e do PSD pela Europa, Paulo Pisco e Carlos Gonçalves, respetivamente.

Fundada em junho de 1991, integravam a CCPL no último congresso 68 associações

 

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