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França: Autarcas luso-franceses participaram em debate sobre identidade nacional
2010-02-09
Em Outubro do ano passado o UMP, partido liderado pelo presidente Nicolas Sarkozy, lançou em França um debate sobre a identidade nacional. «O que é ser francês?» mobilizou a sociedade daquele país, apesar de não ter sido consensual. Paulo Marques, presidente da Associação de Autarcas de Origem Portuguesa em França (CIVICA) defende que o debate vai permitir aos luso-descendentes apresentar a sua realidade e especificidade enquanto nacionais daquele país. Já o embaixador de Portugal em França, Seixas da Costa, acredita os efeitos do debate “não terão um impacto na situação específica" da comunidade portuguesa ali residente.

Em Outubro de 2009, o Governo iniciou a discussão sobre «O que é ser francês?», tendo sido considerado na altura "importante" por 53 por cento dos franceses interrogados. Mas numa sondagem recente, feita pela Obea-InfraForeces para vários meios de comunicação daquele país, mais de 60 por cento dos nacionais inquiridos considerou que o debate sobre a identidade nacional "não é construtivo" e 53 por cento pensa que tudo não passa de uma manobra eleitoral por parte do partido de direita UMP, no poder.
Paulo Marques, presidente da CIVICA, concorda que o debate "não é de todo consensual" na sociedade francesa e no seio da própria associação que lidera, mas acredita que o "tem de ser realizado". "A realização deste debate faz todo o sentido. Vai permitir que os franceses de segunda ou terceira geração contribuam com as suas diversas realidades e especificidades para a discussão" sobre o que significa ser francês, afirmou à Agência Lusa.
O responsável da CIVICA considera ainda que vai permitir aos luso-descendentes apresentar a sua realidade e especificidade enquanto nacionais daquele país. Apesar de a "especificidade dos filhos de portugueses ser já reconhecida em França" e os luso-descendentes estarem "plenamente inseridos na sociedade francesa", Paulo Marques salienta a importância da contribuição de todos. "Quisemos aparecer neste debate por seremos também uma minoria real e de intervenção em Franca, para podermos divulgar a nossa realidade e o nosso contributo para entidade francesa", disse à Lusa.
Nesse sentido, Paulo Marques explica que a Associação a que preside e os mais de 3.500 autarcas de origem portuguesa associados, participaram em diversos debates públicos sobre o tema - organizados nos 96 distritos franceses - para "darem voz a realidade portuguesa em França" e mostrar às pessoas que "não há incompatibilidade entre ser francês e ao mesmo tempo português.
Para o embaixador Seixas da Costa quaisquer que sejam os efeitos do debate sobre a identidade nacional em França "não terão um impacto na situação específica" da comunidade portuguesa ali residente. "As razões pelas quais esta discussão tem lugar situam-se muito longe do modelo de integração que acabou por ser seguido pelos portugueses que permaneceram em França e que, muito consensualmente, representa aqui um indiscutível sucesso", afirmou o diplomata à Agência Lusa.
Seixas da Costa defende que os portugueses e luso-descendentes em França não têm que se preocupar com o debate mas não comenta se concorda com a sua realização, lembrando que como representante diplomático estrangeiro não se pronuncia sobre linhas de orientação política interna francesa.
"Apenas o faria, se sentisse que a comunidade de origem portuguesa poderia vir a ser afectada. Ora, como antes disse, não se me afigura ser esse o caso", sublinha.
O embaixador de Portugal em França acredita entretanto que os portugueses e luso-descendentes que tenham nacionalidade francesa e queiram participar no debate "poderão trazer a terreiro essa magnífica aventura que tem sido a sua integração em França".
Uma integração que, segundo diplomata, foi "facilitada pela sua seriedade, pelo seu esforço e pelo seu trabalho", mas igualmente "pelo reconhecimento, por parte da Franca, do contributo honrado que os portugueses deram a este país e de que as novas gerações luso-descendentes são hoje o espelho".

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