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Reino Unido: Escolas primárias recorrem a professores portugueses para ajudar alunos e pais
2009-09-23

Bruno Manteigas *

Na Escola Primária de Wyvil, em Stockwell, quase metade dos alunos são de origem lusófona.

Várias escolas primárias britânicas estão a contratar professores lusófonos para ajudar na integração, não só dos alunos, mas também dos pais, que têm dificuldade em falar inglês, como acontece em Lambeth, no sul de Londres.

Um exemplo é a Escola Primária de Wyvil, em Stockwell, zona conhecida localmente por "Little Portugal" por concentrar um grande número de famílias e negócios portugueses, onde as funções de Salomé Campos vão para além de ensinar disciplinas inglesas e língua portuguesa.

"Durante o dia vejo-me muitas vezes a tentar ajudar a traduzir para os pais os trabalhos de casa porque eles não entendem o que é preciso fazer e [para] os alunos novos que chegam à escola e que às vezes se sentem um bocadinho perdidos e não sabem explicar o que querem", descreve à Agência Lusa.

Os serviços da docente, que está nesta escola há seis anos, também são requeridos por vezes por outros professores que se apercebem que os alunos não estão a compreender a matéria das aulas e lhe pedem para traduzir os conceitos.

Mas Salomé, natural de Lousada, perto do Porto, só fala português quando acha que "é mesmo necessário para a criança perceber" o que está a dizer.

Muitas vezes, explica, o apoio aos alunos novos é dado por colegas portugueses que tenham nascido no Reino Unido ou que falem melhor inglês.

"Temos muitas crianças que nasceram cá", refere, "mas também temos um número muito elevado de crianças que estão a chegar de Portugal", o mesmo acontecendo com crianças brasileiras ou de países africanos de língua oficial portuguesa.

Actualmente, 230 alunos da escola primária Wyvil, num total de 500, são de origem lusófona, o que corresponde a cerca de 45 por cento do total, que são apoiados por dois professores lusófonos e nove auxiliares.

A primeira funcionária portuguesa a ser contratada foi Maria Rocha, há 16 anos, que ainda hoje exerce funções na recepção e secretaria.

"Os pais tentam falar um inglês arranhado, mas quando percebem que podem falar português comigo até suspiram de alívio", conta à Lusa.

Para os alunos, a vantagem de ter funcionários que falam português na escola é sobretudo prática.

"Se não soubermos escrever uma palavra, elas podem ensinar", referiu Alex, um aluno de 10 anos.

Andreia, também de 10 anos, diz que ter funcionários portugueses por perto tanto pode ajudar alunos que não saibam português como inglês.

Mas para estas crianças, que já nasceram em Londres, o inglês é a principal língua e a que preferem usar com os amigos.

O português só é usado durante as aulas de língua portuguesa, que são opcionais e dadas fora do horário normal, e em casa, com a família.

Para o director da escola, onde também funciona um infantário, foi a "necessidade de servir a comunidade" que levou à contratação de funcionários portugueses.

"A melhor forma de manter os pais satisfeitos é ter formas de comunicar e se falarem bem da escola, essa imagem passa", sustenta Christopher Toye.

"Temos listas de espera dentro da comunidade portuguesa", congratula-se Salomé.

Nos resultados, os progressos são visíveis numa população escolar com uma das maiores taxas de insucesso na zona de Lambeth.

No ano lectivo passado, as melhores notas nos exames nacionais na Primária de Wyvil foram obtidas por duas crianças de origem portuguesa.

* Agência Lusa

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