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Desemprego leva portugueses a trocarem Galiza por França
2009-01-19

Os portugueses que trabalham no sector da construção civil na Galiza estão a procurar novos mercados, especialmente em França, para ultrapassar as dificuldades criadas pelo aumento do desemprego naquela região espanhola, que cresceu cinco por cento em Dezembro.
"A Galiza está a deixar de ser o mercado preferencial dos trabalhadores portugueses da construção civil. Uma grande parte já foi para França, mas há quem tenha ido para a Suíça e Itália", revelou à Lusa, Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção Civil do Norte. Dados oficiais do Ministério do Trabalho e Imigração de Espanha indicam que o desemprego cresceu 5,02 por cento na Galiza em Dezembro, totalizando 189.903 desempregados no final de 2008. Relativamente a Dezembro de 2007, o desemprego na Galiza cresceu 22,53 por cento, o que representa mais 34.921 pessoas sem trabalho.
Como consequência desta situação, Albano Ribeiro estima que tenham abandonado esta região espanhola cerca de dois terços dos portugueses que ali trabalhavam na construção civil. "Na Galiza chegaram a estar cerca de 30 mil portugueses a trabalhar na construção civil, agora não devem ser mais de 10 mil", afirmou o sindicalista, em declarações à Lusa.
Albano Ribeiro frisou, no entanto, que os operários qualificados não deixam a Galiza para regressar a Portugal, mas optam por outros mercados, sendo actualmente a região francesa de Bordéus um dos principais destinos destes trabalhadores. "Os bons operários qualificados não vêm para Portugal ganhar 530 euros, quando podem ganhar 2.800 euros em França", salientou, admitindo que "a França é actualmente o destino privilegiado dos bons operários qualificados portugueses". O presidente do Sindicato da Construção Civil do Norte alertou ainda que a actual situação na Galiza deverá agravar-se nos próximos meses, estimando que muitos dos portugueses que ainda ali permanecem, percam os seus postos de trabalho nos próximos meses.
Apesar desta situação, ainda há empresas portuguesas que continuam a trabalhar normalmente na construção civil na Galiza, transportando diariamente trabalhadores desde o Alto Minho para aquela região espanhola. "Tenho ouvido falar do aumento do desemprego na Galiza, mas, felizmente, ainda não senti esse problema", afirmou Vítor Cachada. O empresário, que se desloca diariamente para a Galiza com os seus dois irmãos e sete trabalhadores portugueses, está actualmente a construir um edifício em Pontevedra e tem trabalho assegurado para os próximos meses. "Temos trabalho para os próximos seis ou sete meses", afirmou, admitindo que a sua empresa pode ser a excepção que confirma a regra numa região onde o desemprego está a aumentar.

Mundo Português, aqui, em 23 de Janeiro de 2009.

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